quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

O lançamento do álbum ‘Roots’, do Sepultura

Há exatos 20 anos, uma revista e um programa de rádio independentes furaram esquemas oficiais e tocaram o material em primeira mão. Foto: Reprodução/Internet. 

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Meus amigos, o que é a natureza. O tempo passa, o tempo voa e lá se vão 20 anos do álbum “Roots”, do Sepultura, o de maior repercussão deles e o último com a chamada formação clássica. Um disco ousado e bastante controverso por misturar ritmos brasileiros como o imaculado - pero no mucho - heavy metal, mas que consagrou mundo afora o jeito Sepultura de se fazer heavy metal, além de influenciar novas gerações de bandas do gênero e não só no Brasil. E isso sem falar no Soulfly e adjacências, que seguem, na maior parte do tempo, reproduzindo a, digamos assim, fórmula “Roots” para todo o sempre.


Mas não era isso que eu queria dizer. O que eu quero contar é que quem lançou “Roots” no Brasil foi esteve que vos escreve, num verdadeiro furo de reportagem que nem sempre é possível fazer quando se trabalha no meio independente. Oficialmente, a data de lançamento de “Roots” é 20 de fevereiro, mas, há 20 anos, o mundo era diferente. Hoje, quando chega a data oficial de um lançamento fonográfico, o material já vazou há tempos, e todo mundo que se interessa por aquele artista já sabe do que se trata. Em 1996, não. Por isso, quando foi ao ar a edição dia 23 de fevereiro do programa EP Vanguarda, na Rádio Rio de Janeiro AM, às 11 da matina, o Brasil ouvia, pela primeira vez todas – eu disse todas – as faixas de “Roots” em primeira mão.

Isso porque, a época, eu representava a saudosa Revista Dynamite, cuja sede era em São Paulo, no Rio, e recebi um advance do tal disco do chefão André Cagni, o Pomba, que por sua vez recebera o material do nosso correspondente em Londres, Celso Barbieri. Lá na Inglaterra, um pré-lançamento do disco havia sido feito, cópias de um CD com as músicas foi distribuído para alguns jornalistas e Barbieri mandou uma para cá. Em princípio, ingênuo, não saquei a importância, mas ao contar para as intrépidas irmãs Andrea e Adriana Cassas, diretoras do programa e parceiras na época, elas logo viram que aquilo tinha que ir ao ar o mais rápido possível.

Nem foi tão rápido assim, porque estávamos no período de Carnaval, e o programa com o lançamento do disco ficou para a sexta depois do fim da festa. Uma data que talvez não tivesse tanta audiência, né? Qual nada, meus amigos. Ocorre que O Globo (não consegui o print do arquivo deles) e o saudoso Jornal do Brasil ficaram sabendo, deram matérias e a coisa quase não sai. Isso porque a gravadora da banda já tinha fechado um acordo com a poderosa Rádio Cidade, que iria fazer o lançamento do álbum justamente naquela sexta, só que às 18h, no badalado programa comandado por Monika Venerábile, uma das locutoras reveladas na Fluminense FM, minha grande referência no rock em todas as épocas. Se bobear, a Cidade até antecipou o lançamento para o mesmo dia, para tentar diminuir o gap entre uma coisa e outra.

Antes disso, a Rádio e a gravadora, ao tomarem conhecimento de que seriam furados por uma nanica concorrência, trataram de tentar impedir que o EP Vanguarda fosse ao ar. Recebi telefonemas que nos ameaçavam de tudo, inclusive de denúncias a órgãos federais de controle, que poderiam tirar o sinal da rádio do ar no horário do programa. Foi ficando legal, né? Confesso que pensei algumas vezes em ao menos adiar o lançamento do disco para a semana seguinte, mas as destemidas Andrea e Adriana puxaram a minha orelha e fui convencido a fazer o que deveria ser feito. E assim colocamos no ar, no dia 23 de fevereiro de 1996, em primeira mão para o Brasil, todas as músicas do álbum “Roots”, do Sepultura. Com comentários e análises deste que vos escreve, mesmo que não se soubesse exatamente o título de algumas das músicas.

A história, contudo, tem um complemento que acredito nunca ter contado. Após o programa, como de hábito, fomos para o QG das Cassas e lá ficamos até a noite, para acompanhar o que seria o lançamento oficial da Rádio Cidade. Obviamente, como é hábito em uma rádio que jamais satisfez os entusiastas do rock em qualquer uma de suas fases, não foi tocada a íntegra do disco, muito menos havia alguém para dar um contexto jornalístico. Se bobear, esse lançamento só foi feito através de permutas de idoneidade duvidosa. Mas isso é o de menos. O que eu quero dizer é que, durante o programa, foi sorteada uma camisa importada já com o logo de “Roots”, e o ganhador – e ainda tem mais essa – foi este que vos escreve. Ou seja: furamos os caras e ainda levamos o brinde deles como troféu. Roots bloody roots!

Portanto, se você que vai a tudo o que é show de rock encontrar um sujeito bem apessoado com um camisão cinza de mangas compridas, com o bolso esquerdo bordado com a logo de “Roots” nas cores da bandeira do Brasil, saiba que esse cara sou eu. Sim, uso até hoje, em poucos dias do ano de um Rio de Janeiro indiferente ao inverno. Saiba também que por trás dessa farda há essa história que acabo de contar, e que, assim como eu, essa camisa vem de longe. Muito longe.


Até a próxima, e long live rock’n’roll!!!

Fonte: Rock em Geral

 




 


terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Os mitos e as verdades por trás da vida de Bon Scott

Em formato de biografia, livro do jornalista Jesse Fink conta novos fatos sobre a suspeita morte do primeiro e lendário vocalista do AC/DC


No fim de 2017, fãs de todo o planeta se consternaram com a morte de Malcolm Young, um dos irmãos fundadores do AC/DC. E essa não foi a primeira vez que a morte rondou a existência de uma das maiores bandas de seu gênero da história.

Bon Scott, primeiro e talentoso vocalista do AC/DC, virou uma lenda entre os fãs de rock depois de sua morte precoce, aos 33 anos, no auge da carreira.

Diz a história que, na madrugada do dia 19 de fevereiro de 1980, após um show, ele morreu de intoxicação alcoólica dentro do carro de um amigo. Mas qual a verdade por trás disso?

Há alguns novos fatos que mostram que essa talvez não tenha sido a real causa de sua morte. Além disso, muitos dizem que o Back In Black – álbum de rock mais vendido de todos os tempos e creditado apenas aos irmãos Young e a Brian Singer – teve na verdade uma grande participação de 

Bon. Será mito? Ou há de fato evidências que comprovem isso?

Para desvendar esses mistérios, o jornalista Jesse Fink entrevistou, durante 3 anos, pessoas ligadas a Bon e pesquisou documentos e fotos nunca antes acessados, resultando em sua mais recente obra: Bon: a última Highway (Benvirá, R$ 54,90). Levando o leitor de volta ao intenso período de formação da banda, o livro reconstitui os últimos passos do vocalista e faz o leitor conhecer fatos até então inéditos sobre a história dele.


SOBRE O AUTOR
 
Jesse Fink nasceu em Londres, em 1973. Ele é jornalista e autor do best-seller Os Youngs: os irmãos que criaram o AC/DC, lançado em mais de vinte países. Bon: a última highway é seu quarto livro. Ele vive com a esposa e a filha e divide seu tempo entre Sydney, na Austrália, e São Paulo.


Fonte: Universo do Rock